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Como escolher um bom berçário para seu filho

Christine Bruder

Ter um filho é sem dúvida uma das experiências mais transformadoras que uma mulher pode viver. A chegada de um filho modifica nossa casa, nosso corpo, nossos planos de vida, prioridades e visão de mundo. Toda escolha feita em nome de seu filho, grande ou pequena, faz diferença, reflete seus valores como mãe e seus sonhos para ele.

A escolha de um berçário é, portanto, uma grande responsabilidade. A decisão de entregar seu bebê aos cuidados de outros, pode impactar você e seu bebê de formas diferentes e trazer (em maior ou menor grau) dúvidas, culpa, conflitos, inseguranças, ansiedades.

Saiba também que passar algumas horas por dia fora de casa pode sim ser uma experiência muito enriquecedora para seu bebê e para você também, desde que você se sinta segura com essa decisão ao escolher um lugar que atenda às necessidades de seu bebê e que possa ser um sólido parceiro na missão de cuidar dele. Lembre-se: Mãe segura = bebê seguro

Apesar de cada bebê ser único, crianças menores de 3 anos possuem necessidades típicas de seu desenvolvimento que devem ser atendidas para que cresçam equilibrados, felizes e atinjam todo seu potencial intelectual .

Abaixo você encontra uma lista de 28 perguntas importantes que servem de base para orientar sua escolha de um bom berçário. É claro que é difícil encontrar um lugar que atenda a todos os critérios abaixo, portanto reflita e escolha aqueles itens que você considera indispensáveis. Leve o questionário com você quando for conhecer os berçários e durante a visita, questione abertamente, procure indícios do que é afirmado e principalmente peça exemplos práticos do que é dito, pois não basta o lugar ter o discurso correto, você precisa saber o que acontece na prática.

Enfim, mostre-se informada, seja exigente e não se esqueça de ouvir atentamente o que seu coração tem a dizer nessa escolha.

Questionário

Segurança e Saúde:

Bebês e crianças de 3 meses a 3 anos possuem necessidades específicas em termos de segurança e saúde. Costumam ser exploradores ousados, rápidos e imprevisíveis que provavelmente vão colocar qualquer objeto ou material na boca e não possuem ainda noção de perigo ao se movimentarem: rolam, sobem, escalam, debruçam... mesmo sob a supervisão atenta de um adulto.

Os critérios de segurança, saúde e nutrição para essa faixa etária devem ser rigorosos e ir além da limpeza, bom senso e comida gostosa para garantir que o bebê/criança pequena tenha a saúde e liberdade que ele tanto necessita para explorar o mundo à vontade.

1. O prédio e sua circulação apresentam escadas, varandas ou vãos desprotegidos?

2. O playground contém também brinquedos para a faixa etária de seu filho?

3. O chão da área externa é macio e antiderrapante?

4. As plantas são atóxicas, caso ingeridas?

5. Os móveis são à prova de tombamento, possuem acabamento arredondado e são feitos de materiais atóxicos?

6. Os brinquedos estão disponíveis, bem conservados e são grandes o suficiente para não entrarem na garganta?

7. Os funcionários que cuidam das crianças são treinados em primeiros socorros? Reciclam o curso periodicamente?

8. Qual a política do local com relação à permanência de crianças adoentadas?

9. A alimentação oferecida é composta na sua maioria de alimentos naturais, frescos, integrais e não industrializados?

10. O cardápio é variado e garante a exclusão de produtos com açúcar refinado, conservantes, embutidos e gordura trans?

 

Afetividade e Acolhimento

O desenvolvimento emocional sadio é construído no contexto das primeiras relações humanas que a criança estabelece na vida. Sendo assim, a relação do bebê com suas primeiras cuidadoras (sejam elas a mãe, a babá ou a berçarista) é a peça chave para um bebê crescer seguro, com autoimagem positiva, confiante na vida e solidário.

É fato indiscutível que um bebê precisa de amor. Como e quando um bebê se sente amado?

A percepção que um bebê tem de amor se refere à consideração e delicadeza como ele é tratado física e emocionalmente. Do ponto de vista do bebê, uma cuidadora amorosa é aquela que é constante na sua vida e que entende e atende com sensibilidade e prontidão às suas necessidades de alimentação, higiene, descanso, conforto físico, mobilidade, proteção... Assim como também está lá para o amparar, consolar, fazer companhia, acreditar que ele é um ser inteligente e o incentivar/apoiar em sua crescente autonomia.

Os bebês e crianças pequenas necessitam de uma cuidadora responsiva: sintonizada em suas necessidades e que tenha disponibilidade para atendê-las. Para isso acontecer é preciso que a cuidadora seja emocional e fisicamente disponível, o que se torna improvável quando ela tem que cuidar de muitos bebês ao mesmo tempo dentro de uma rotina diária inflexível.

11) Os grupos da idade de seu filho são formados por até quantas crianças?

12) Quantos adultos cuidam de um grupo?

13) As cuidadoras estão presentes e atuantes (como é esperado) em todas as etapas da rotina (banho, alimentação, trocas?) das crianças de seu grupo?

14) Cada grupo possui uma cuidadora como referência?

15) A rotina do local é parecida com a que seu bebê está acostumado? Se não, como sugerem que seja feita essa transição?

16) Se necessário, a rotina diária do grupo é flexível para atender eventuais necessidades individuais?

17) O processo de adaptação do bebê e da mãe é suave e progressivo?

18) O respeito pelo bebê como indivíduo inteligente e único transparece na forma como é cuidado (hora do banho, trocas, alimentação como é colocado para dormir)?

19) Você poderá visitá-lo e aparecer quando quiser, sem aviso?

 

 

Estimulação Adequada

 

 Bebês e crianças pequenas aprendem sobre si mesmos, os outros e o mundo experimentando com os 5 sentidos. Para oferecer um ambiente e experiências de vida estimulantes, física e intelectualmente, em primeiro lugar é preciso perceber e respeitar os interesses, ritmo e estilo de exploração de cada um, cuidando para não sobrecarregar a criança. O excesso de estimulação sensorial é danoso ao desenvolvimento.

Toda experiência vivida pela criança pequena é estimulante e mais bem aproveitada se:

ü Possui um contexto para ela

ü É interativa

ü Oferece desafios (prováveis de serem superados)

ü É ela que explora com suas próprias mãos/corpo

ü É permitido que a criança conduza o rumo de sua exploração

Bons materiais para a exploração da criança são aqueles seguros e que apresentam cores, texturas, cheiros, formas, sabores e sons variados, variando, sobretudo, em possibilidades de exploração.

A conduta adequada do adulto que supervisiona a criança durante seu brincar é a de não interferir na exploração da criança e atender/responder quando for solicitado. Uma cuidadora adequada atende aos interesses e interage com a criança de forma carinhosa, interessada e respeitosa.

20) As cuidadoras possuem bom nível cultural e de escolaridade?

21) Como as cuidadoras sabem se um bebê ou criança está recebendo o tipo e a quantidade de estimulação necessária para ele?

22) Os bebês quando estão acordados passam a maior parte do tempo livres no chão (como é adequado) ou presos em berços e “bebês conforto”?

23) Ver TV ou DVD (ambos desaconselhados) é eventual ou faz parte da rotina diária?

24) O local disponibiliza (com acesso livre) uma variedade de brinquedos abertos (que podem ser usados de diversas formas criativas como cubos, instrumentos musicais, blocos, etc.)?

25) Com que frequência as cuidadoras conversam com eles e leem para eles?

26) Os livros infantis da biblioteca são selecionados por sua qualidade de texto e ilustração?

27) As crianças recebem algum tipo de curso, aula ou de exercício (tipos inadequados de atividade) específico ao invés de propostas de brincadeiras?

28) São oferecidas propostas de brincadeiras lúdicas e “mão na massa” (exploração sensorial com mãos e corpo)? Com que frequência dentro da rotina?

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