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  AJUDANDO SEU FILHO A COMER BEM

Uma relação alimentar saudável e positiva com seu filho surge através da confiança.

 
     
 

Zach, 2 anos, escala o cadeirão, cruza os braços e anuncia: “Eu não vou comer”. A mãe, desesperada, responde: “Mas você tem que comer. Só essa colherada. Olha o aviãozinhoooo”.

Na mesa, a irmã Emily, de 4 anos, reclama “Quantos brócolis eu tenho que comer antes da sobremesa?” Soa familiar?

Todos nós queremos que nossos filhos comam bem. Queremos que as refeições sejam momentos felizes. Mas às vezes eles não são. O que podemos fazer? Aqui você encontra alguns conselhos de Ellyn Sater, autora, palestrante, nutricionista e terapeuta familiar especializada no tratamento de distúrbios alimentares.

A chave é confiança

“Uma relação alimentar saudável e positiva com seu filho surge através da confiança”, diz Satter. “Confiança na habilidade que ele tem de comer de uma forma que seja certa para ele e para desenvolver o tipo físico apropriado a ele. A alimentação é um processo cooperativo, e não um processo onde você tenta ser mais esperta que seu filho”.

Como as crianças comem

Crianças em idade pré-escolar que se alimentam bem não agem como adultos. Elas podem comer muito num dia e quase nada no outro. Elas podem gostar de uma comida hoje, mas amanhã não. Nessa idade as crianças normalmente não comem tudo que está no prato – elas escolhem um ou dois alimentos. E são muito sensíveis à sua própria fome e apetite. Elas podem deixar uma taça de sorvete pela metade, caso sintam-se satisfeitas.

Quem tem o controle?

Os melhores pais – inclusive com relação à alimentação – fornecem amor e limites. A regra de ouro de Satter para alimentar crianças é a divisão de responsabilidades. Os pais são responsáveis por qual comida é oferecida e (para crianças acima de 12 meses) quando e onde elas são oferecidas. As crianças decidem quanto e mesmo se devem comer ou não. Vamos ver como isso funciona.

Responsabilidade dos pais

Controlar a seleção de alimentos

Você decide que comida entra em sua casa e vai à mesa. Afinal, você sabe mais sobre comida e alimentação que seu filho em idade pré-escolar. Ele quer e precisa aprender com você. Coloque quatro ou cinco alimentos na mesa na hora das refeições: uma carne ou outra fonte de proteína, uma fruta, um vegetal e uma fonte complexa de carboidratos (batatas, arroz, macarrão). Deixe seu filho escolher dentre as opções disponíveis. Não limite o cardápio aos alimentos que seu filho aceita, mas garanta que a seleção sempre incluirá alimentos que ele normalmente gosta.

Controlar o tempo das refeições

Você decide quando oferecer as refeições e lanches. O estômago do seu filho é pequeno e a necessidade de energia é grande. Assim, ele precisa de três refeições diárias com pequenos lanches entre elas, de forma que ele se alimente a cada duas ou três horas.

Não permita que seu filho em idade pré-escolar coma ou beba em horas diferentes das que você estipulou; isso o torna responsável pelo cardápio, assim como pelo tempo. Se ele tiver sede, dê água. Se ele petiscar constantemente – ainda que sejam alimentos saudáveis e nutritivos – ele não terá fome suficiente no horário das refeições e não aprenderá a comer uma boa variedade de alimentos.

Decidir onde

Alimentar as crianças somente na mesa os ensina a levar a alimentação a sério. E também evita que você use comida para curar joelhos ralados, frustrações ou mau humor (o que ensina seu filho a comer sempre que ele estiver preocupado ou nervoso).

Controlar o ambiente

Faça refeições em família. Seu filho precisa comer com você, mesmo que isso seja menos tranquilo.
Torne a hora das refeições agradável. Não brigue ou discuta.
Deixe que a criança coma do seu próprio jeito – na medida do possível. Quando “explorar a comida” virar bagunça para chamar a sua atenção, deixe-a sair da mesa.
Altere a comida para que seu filho possa comê-la (por exemplo, deixa-la mais úmida, cortar a carne em pedaços pequenos).
Ajude seu filho a prestar atenção ao que ele come. Para comer bem, a criança deve estar calma, descansada e com fome. Não ligue a TV – ela pode distrair a criança e interferir com esse momento de socialização em família. Responsabilidade das crianças

Para que a divisão de responsabilidades funcione, a criança também precisa fazer sua parte. Ela deve decidir:

Quanto ela come
Se ela come


As crianças sabem quanto devem comer. Cada criança cresce num ritmo diferente, e cada uma delas precisa de uma quantidade diferente de comida. Alguns dias seu filho tem muita fome, outros não. Alguns dias ele está ativo, outros não. Se você permitir que seu filho respeite sua fome, apetite e satisfação, ele aprenderá a comer o quanto for necessário, de acordo com a natureza dele. Se você forçar a alimentação dele, ele não comerá bem.

O corpo da criança

Algumas crianças são naturalmente altas e magras, outras são mais sólidas e musculosas, e algumas ainda mais gordinhas. O tipo físico de cada criança é determinado principalmente por hereditariedade. Não compare o crescimento do seu filho com o de outras crianças. Se ele segue uma curva de crescimento de forma previsível, ele está bem. Caso ele tenha alguma alteração nessa curva – para cima ou para baixo – consulte o pediatra, pois pode haver algo atrapalhando o desenvolvimento dele.

Dar apoio sem gerenciar

Para as crianças é sempre melhor que tenham controle de sua própria alimentação. Forçar a alimentação é contra produtivo – as crianças acabam comendo menos, e não mais. Deixe que seu filho em idade pré-escolar recuse as comidas que ele não quiser. Deixe-o livre para experimentar um alimento e não terminá-lo. Deixe-o decidir quando está com fome e quando está satisfeito.

Confiar na criança ao comer permite que você possa desfrutar mais da presença dela. Se você deixa de se preocupar com enchê-la de comida, você pode prestar atenção e compartilhar com ela o aprendizado da alimentação, o seu crescimento e seu bom trabalho como pai ou mãe.



Adaptado de “How to get your child to eat...but not too much”, de Ellyn Satter por Paulette Bochnig Sharkey.

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